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segunda-feira, 28 de março de 2011

Sobre o curso de adaptação de quadrinhos



Então, tem gente desconfiada em fazer o curso por considerar que "não sabe" desenhar.

Pois saibam que este não é, absolutamente, pré-requisito para participar.

As noções técnicas de desenho, aplicadas pelo Piero Bagnariol, serão um recurso a mais para a criação das adaptações de textos para quadrinhos, que podem ser na forma de storyboards e privilegiam noções narrativas, de tempo e de espaço, bem como noções de pesquisa audiovisual.

Resumindo: pode vir pro curso sem medo!

terça-feira, 15 de março de 2011

Alves na Gibiteca

A Gibiteca de Belo Horizonte tá ativa, pessoal! Graças a um excelente trabalho de revitalização feito pelo pessoal da FMC, encabeçado pelo Afonso Andrade, o espaço está se tornando - como deveria ser - uma referência ao debate e à divulgação da história em quadrinhos.

No próximo sábado, 19 de março, o convidado para o bate-papo (do qual já participaram Laerte e Eddy Barrows) vai ser o Alves, cartunista e amigo de longa data. O Alves publica regularmente na Mad e já publicou muito na Graffiti. Se tudo der certo, ainda publicaremos um álbum seu.

Mais informações no blog do próprio Alves.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Curso de adaptação para quadrinhos

Alô amigos!

Quero divulgar o curso que eu e o Piero Bagnariol vamos ministrar em abril, na Escola
Giramundo.

Será um curso de Adaptação de textos para histórias em quadrinhos.

O curso se destina àqueles que já trabalham com artes visuais e com a narração por imagens, aos iniciados e interessados em geral.

Tem como propósito a elaboração de narrativas por imagens a partir da edição de textos produzidos pelos participantes ou da adaptação de contos de domínio público. A atividade terá como enfoque a realização de histórias em quadrinhos e “storyboards”, ou projetos de histórias em quadrinhos na forma de esboço. Serão abordados também noções técnicas de desenho e narrativa aplicadas às histórias em quadrinhos.

A adaptação de textos para a forma dos quadrinhos possibilita a visualização da narrativa original sob a perspectiva gráfica, inserindo noções espaciais (cenografia, composição de personagens, figurinos) e subjetivas (velocidade, timing, intensidade).


O cuso será realizado na sede do Museu Giramundo, dia 11 a 15 de abril e tem um valor de R$ 300,00 por aluno, com duração de 35h. O aluno deverá trazer o seguinte material: 1 bloco para desenho superwhite A4, 1 lápis HB, 1 caneta Bic Metal Point preta e 1 régua de 30 cm. O restante do material a ser utilizado será fornecido.

Mais informações e preenchimento da ficha de inscrição no site do Giramundo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Eddy Barrows na Gibiteca

A Gibiteca Antônio Gobbo, no bairro Santo Antônio, é a maior do gênero em Belo Horizonte. Andou meio esquecida nos últimos anos, mas o Afonso Andrade, da Fundação Mun. de Cultura, deu uma merecida revitalizada nela, promovendo atividades, encontros e oficinas.
No próximo sábado, dia 26, vai rolar mais uma edição do "Conversa em Quadrinhos", que já teve o Laerte. Dessa vez o convidado é o Eddy Barrows, brasileiro que desenha o Superman e que tem uma história, acho, bem bacana e interessante.

É grátis!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

SERV SERVICE – Restaurantes do Submundo e da Sarjeta de Belo Horizonte, comentados por Fabiano

1 – Mineirinho

Fica na R. Espírito Santo, exatamente ao lado da loja Marisa. No mesmo trecho de rua, existem pelo menos três restaurantes com nomes e ambientação parecidos: poucas mesas e privilegiando os bancos para almoçar sentado ao balcão. Este tipo de restaurante incentiva a rotatividade da clientela, o que, em se tratando de locais que ganham dinheiro exclusivamente com almoço, é bem adequado.

O cardápio é grande em comparação com outros PF’s da região: pode-se almoçar, a qualquer dia, peixe, frango grelhado ou à milanesa, salada mista etc. Pela quantidade de pessoas almoçando simultaneamente (mais de 50, entre pessoas sentadas ao longo do balcão e nas mesas), e também pela variedade do cardápio, penso que a cozinha do Mineirinho seja bem grande.

Fiquei na dúvida entre a feijoada típica das sextas-feiras em restaurantes do centro e o kaol. Para efeito de comparação entre um “falso” kaol e o legítimo – que eu almoçara alguns dias antes, no Palhares – resolvi experimentar a versão do Mineirinho.

Enquanto aguardava, notei impaciência por parte de muitos clientes: sinal de que estava demorando. No meu caso, a espera não foi maior do que 5 minutos, tempo razoável. O suficiente para que eu esvaziasse metade da Brahma, servida corretamente (gelada, com isopor e em copo americano).

Como apresentação, o prato estava ok. Arroz branco e couve por baixo, por cima um pedaço não-generoso de linguiça, o ovo estalado e com a clara ligeiramente mole sobre a linguiça, e, sobre tudo isso, uma colherada de molho ao sugo – influência óbvia do tradicional Palhares, inventor do kaol. A diferença – fatal – é que o sugo do kaol legítimo é exatamente isso: molho ao sugo, tomate. No Mineirinho, o molho é bolonhesa, o que transformou o prato numa excessiva e desnecessária mistura.

A comida até estava temperada satisfatoriamente. O grande problema foi o cozimento – ou a falta dele – e a qualidade dos produtos. A couve veio crua – até gosto, mas acho que ela deveria vir refogada, temperada com alho frito, como manda o protocolo. O arroz, por sua vez, estava terrivelmente cozido, creio que à maneira dos macrobióticos quando fazem aquela dieta do arroz famigerada. Os grãos estavam inchados de tão cozidos. A linguiça, por fim, era de supermercado, daquelas ensacadas a vácuo em embalagens industriais. Não era um produto da roça, como deve ser uma boa linguiça calabresa, ou de lombo, ou de frango que seja.

Bem, como eu tava com fome, mandei tudo para dentro sem um mínimo de cerimônia, mas preciso dizer que houve certa decepção com o estabelecimento. Geralmente, quando vejo um restaurante cheio como o Mineirinho, inclusive com fila para sentar, a impressão é boa. Porém, darei o veredicto definitivo da próxima vez que eu for ao local – acredito que, para ser julgado de forma adequada, deve-se visitar o restaurante ao menos duas vezes.

Classificação

Consumo – Um prato de kaol (couve, arroz, ovo e linguiça) e uma Brahma.
Atendimento – Bom. As várias garçonetes são sisudas (devem ganhar mal), mas são atentas e velozes.
Local – Razoável
Preço – Bom. Paguei 4,90 pelo prato.
Talheres – Velhos. A faca tava cega. Porém devidamente limpos.
Cerveja – Como já citado, tava jóia.
Comida – Bela merda.

(publicado no Blog da Graffiti, em novembro de 2008)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Monstro Souza

então, li O Monstro Souza, o aguardado livro do maranhense Bruno Azevêdo, amigo e colaborador da Graffiti.


1 – É uma história lépida e veloz, dinamizada por um projeto gráfico todo particular, que mistura notícias de jornal – que, reais, complementam o enredo – , ilustrações, quadrinhos, publicidade e até um rpg. Eis que temos um cachorro-quente de uma tradicional barraca de São Luis – o “Souza” - que, desperdiçado, sofre a ação de um relâmpago durante uma tempestade e – fenômeno típico e usual nas origens dos super-heróis – se tranforma em um “rótidog” vivo, gigante e ambulante. Perdido em sua nova experiência como ser vivo, o monstro acaba por encontrar refúgio entre o baixo meretrício da capital maranhense. Posteriormente, se torna um insensível e sanguinário psicopata. Suas vítimas: aqueles que acabaram de consumir um cachorro-quente da barraca do Souza.

2 – Bruno Azevêdo, em seu segundo romance, desta vez em parceria com Gabriel Girnos, que co-assina a obra, retoma o cenário do primeiro livro, Breganejo Blues. A região central de São Luis, e alguns de seus locais marcantes, são explorados pelo autor e seus personagens. Pra mim, eis aí uma das grandes virtudes do autor e da obra, que não só não renegam a cidade de onde vieram, como a utilizam e valorizam seus cenários. Claro que a visão de Bruno é cheia de ironia e acidez, mas, também, como não ser?

3 – Souza, o cachorro-quente ambulante, é uma criatura nojenta e escatológica, cujas referências podem ser buscadas nos seriados japoneses de monstros, tipo Spectreman e Changeman, e também (talvez) no Gargântua de Rabelais. Mas a obra guarda, também, referências, mais ou menos intencionais, aos folhetins baratos de banca (literatura tipo “Julia” e “Sabrina”), aos filmes de bangue-bangue, aos animes, aos contos policiais e urbanos do Rubem Fonseca e à cultura popular, dita “brega”. E, por fim, há muitas e belas homenagens a quadrinhos que certamente fazem o gosto dos autores, como Freak Brothers, Monstro do Pântano, Diomedes e Ken Parker.

4 – É um puta livro, muito bem editado e bonito. As histórias em quadrinhos que o permeiam, especialmente a do Márcio de Castro (“Caralho!”), são bem legais.

5 – Considero que a construção dos vários personagens que passeiam pela história (e são sistematicamente mortos pela criatura) poderia ser mais lenta e gradual, tomar mais conta do livro. Os personagens aparecem, e, quando começam a ficar interessantes, morrem! Não sei se isso foi intencional, mas eu gostaria de saber mais, por exemplo, sobre o delegado Caolho e sobre o tenente Ernestinho.

6 – O apêndice do livro conta com o mapa dos arredores onde a história se passa e com um glossário hilariante. Um deleite.

7 – Pra conseguir um exemplar (custa só 20 reais) é só pedir pro Bruno. Vai aqui: http://www.romancefestifud.blogspot.com/